O triste fim do diploma para jornalistas

diploma-jornalismo

Acredito que já tinha aptidão para jornalismo desde pequena. Quando fui prestar vestibular sabia que queria ser jornalista, embora não soubesse muita coisa sobre o exercício. Como a vida não é linear, demorou uns anos, mas finalmente iniciei a faculdade.

Se quando era mais nova não tinha conhecimento apurado da profissão – e achava que somente era preciso gostar de ler e escrever – ao entrar na faculdade percebi a seriedade e importância da profissão para a sociedade. Foi lá que aprendi a fazer leads, textos informativos, textos opinativos, pautas e, principalmente, aprendi sobre o Código de Ética dos Jornalistas. São técnicas que não se aprendem do dia para noite. E para ser bem utilizadas, além de talento, dom e boa escrita, necessitam de comprometimento com a notícia e responsabilidade social. Itens que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão por derrubar junto com o diploma.

O STF, no último dia 17, não só tornou inconstitucional a obrigatoriedade de um curso formal para o exercício da profissão como a comparou com a culinária. De acordo com os ministros, o jornalismo é uma atividade que não precisa de escolaridade nem conhecimento técnico. Uma decepção para mim e meus colegas. Declarar que para ser jornalista não é necessário nenhum requisito de ensino superior e que pessoas sem formação escolar podem obter o registro desqualifica estudantes, professores, profissionais e a própria imprensa brasileira. Porém, alguns representantes dos meios de comunicação comemoraram a decisão, principalmente o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ). A decisão, claramente, favorece as empresas de comunicação e não aos profissionais e nem a sociedade brasileira.

Para justificar o fim da exigência do diploma os relatores do STF, representantes do Sertersp e da ANJ se apegam no argumento de que essa obrigatoriedade é uma herança da ditadura militar por meio do decreto-lei 972/69 e que fere os artigos 5º e 220 da Constituição Federal, que tratam da liberdade de manifestação do pensamento e da informação. Contudo, é válido ressaltar que nos anos posteriores ao período militar o diploma garantiu aos profissionais um maior aperfeiçoamento e padrão cultural e ajudou no desenvolvimento das redações no Brasil. Num país onde o ensino fundamental e médio são uma merda, como pode uma profissão que requer técnicas para entrevistar, editar, reportar, fazer perfil, editar bloco de notícias, baixar uma página e, principalmente, de ética para não destruir a vida de uma pessoa em algumas linhas não exigir um curso específico? É obvio que esses conceitos acadêmicos não isenta a profissão de possuir maus jornalistas. Assim também como uma formação acadêmica não inviabiliza a formação de péssimos advogados, médicos e relatores do STF (para quem não lembra, o presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes, foi o mesmo que concedeu dois habeas corpos ao banqueiro Daniel Dantas).

Outra. É uma falácia a justificativa de que a obrigatoriedade do diploma é um artifício contra a liberdade de manifestação do pensamento, pois para o exercício do jornalismo é um dever ético a exclusão da opinião do jornalista. Aprendemos na faculdade que para quem está diante de uma notícia o que interessa é o que como, onde, quando, quem e por que aconteceu o fato. Para a emissão de opiniões existem as colunas e seções especializadas que agregam profissionais de diversas áreas que se expressam livremente. São espaços que admitem o trabalho de colaboradores sem formação em jornalismo.

Também é questionado que as faculdade de jornalismo do país estão defasadas e não estão formando profissionais aptos para trabalhar no mundo das novas formas de comunicação. Muitos cursos estão obsoletos no Brasil, mas não é simplesmente eliminando-os que as coisas vão melhorar. O Ministério da Educação tem que ser mais rigoroso com a grade curricular dos cursos e fiscalizar as inúmeras faculdades particulares que são abertas todos os dias. É bem possível que com a desvalorização do curso de jornalismo questões como imparcialidade, ética, e influência da mídia na sociedade tornem-se menosprezadas e vejamos o sensacionalismo dominar de vez os jornais, rádios e tevês nacionais.

O Brasil é um dos poucos países que mantém a requisição do diploma para exercer a profissão, mas é também aqui que as leis permitem que políticos sejam donos de diversos meios de comunicação. No nosso país vemos uma em cada três rádios concedidas na mão de políticos. Agora, com as empresas livres para contratar até analfabeto, veremos em pouco tempo nas redações do Brasil – principalmente no interior do país- uma superlotação de cabos eleitorais, parentes, amigos, amantes, partidários, jagunços que estarão lá não para exercer o direito à informação e liberdade de expressão que tanto o STF prega, mas para arquitetar a permanência no poder e manutenção dos interesses partidários de seus proprietários.

Nossos ministros e políticos desejam, e estão por conseguir, uma imprensa controlada para não precisarem processar jornalistas que os criticam.

16 comments Junho 30, 2009

A não-pessoa Michael Jackson

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O fim de Michael Jackson é triste como toda derrota da especie humana. Penso nele num lugar comum, numa criança que não cresceu, num homem que foi se transformando em mulher e um negro que tentou ser branco, entre tantos mistérios da alma humana.

Era um músico e um cantor de talento raro, próximo da genialidade. Mudou nossa forma de cantar e de dançar.

Mas também era um monstro que se tornou a própria vítima, uma doença que não parava de crescer.

Já deformado, tornou-se um pai que não conseguiu ser filho e um truque poético que se tornou pura forma, todo artifício. Uma não-pessoa, uma não-identidade, uma não-história. Era a representação da representação.

A anti-natureza de batom e lantejoulas, avaliada em muitos milhões de dólares.

Se a sua melhor música foi produzida na infância, o auto-retrato encontra-se em Thriller, onde é o lobisomen assustador e a mocinha assustada ao mesmo tempo.

Morto aos 50 anos, Michael Jackson foi tudo e nada. Fez maldades cruéis, dignas de contos de fadas.

Deixou a impressão de que nunca teve direito a própria liberdade nem a própria vida.

Ele se foi sem ter sido, quando se tornara estátua de cera, objeto, menos que lembrança.

*Paulo Moreira Leite é colunista da Resvista Época

4 comments Junho 26, 2009

Ah, o amor…

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Embora – até a presente data – esteja solteiríssima, curtindo somente minhas paixões repentinas, beijos expontâneos e muitos impulsos libidinosos, estou mais em clima de amor e dia dos namorados que noiva no altar.

Ah, o amor… Eu quero um amor que me ature nas minhas TPMs e quando tiver de mal humor. Que satisfaça minhas vontades e meus mimos também. Que me veja chorar, que ouça todos os meus anseios e suporte minhas eternas crises de identidade. E depois disso tudo ainda ache que eu sou a mulher mais linda do mundo, mesmo chorando, com TPM, mimada e mal-humorada.

Meu amor tem que me botar para dormir, me cobrir se fizer frio e saber cantar minhas músicas favoritas. Tem que fazer sexo bem feito e, principalmente, buscar sincronia com minha energia sexual…ui! Tem que me fazer rir e deixar eu rir da cara dele. Tem que me admitir livre, não me cobrar nada e saber ter compaixão com meu ciúme. Tem que verbalizar diariamente o seu amor por mim e não ter meias-palavras, “talvez”, “quem sabe”.

Tem quer SER: cúmplice dos meios devaneios, das minhas loucuras, das minhas putarias, das minhas bebedeiras. Tem que me acompanhar no pôr-do-sol e respeitar os meus momentos de silêncios profundos e minhas vontades de ficar só. Deve ser alguém que me tenha como prioridade, que seja meu amigo e tenha críticas construtivas. Que leia todas as coisas que escrevo e admire-as.

Tem que ser alguém que participe do meu universo espiritual e o respeite. Que ache lindo eu ficar descalça em uma formatura. Tem que ser alguém que me acolha e tenha sensibilidade para perceber quando não estou bem. Que seja presente, mas saiba me dar o gosto da saudade. Que me ligue no meio da tarde, que me presenteie sem data especial, que me surpreenda, que viaje comigo pelo Capão e me leve para os meus locais favoritos.

Esse amor tem que me desejar e demostrar com o olhar, com a mão, com a boca, com todo o corpo, com gemidos, sussurros, mordidas, apertos ou o que a criatividade lhe permitir. Tem que ser criativo, gostar de cores e filmes. Tem que apreciar tanto um jantar romântico em um super restaurante como um dia simples em casa. Quero alguém que não faça jogo, que saiba de meus medos. Que me deixe voar por todos os ares e seja meu aeroporto.

E, principalmente, quero alguém que acredite no amor e, não podendo ser tudo isso, venha sem vergonha na cara como toda obra-de-arte que é uma existência.

10 comments Junho 5, 2009

News

42-15315934Não gosto de usar este blog para vomitar os meus desejos, insatisfação, alegrias, angústias. Já postei inúmeras vezes que o anafilático é destinado a “textos e críticas sobre o que acontece no mundo e no Brasil”. Mas esse blog é meu e eu decidi que vou falar de mim na hora que bem entender. Nem tem ninguém me cobrando textos jornalísticos, mas eu fico preocupada com os meus leitores (responsáveis pelas 1.300 visitas mensais). O que para mim é muito já que eu sou uma amadora nessa blogosfera. E não quero fazer um blog pessoal, não quero dividir minha “clientela”. Então vai ser assim: é possível que entre um texto sobre cinema e outro sobre desigualdade social vocês, leitores anafiláticos, saibam que eu estou com a unha encravada, doida para tomar um banho de mar e pensando no sexo dos anjos. Vai ser assim porque às vezes eu fico engasgada e preciso botar para fora. Pronto. Falei.

News:

1. Blog de contos eróticos vindo por aí. Já tenho uns textos escritos, só falta a coragem de postar.

2. Preciso resolver a minha incapacidade de lembrar letras de músicas (até as minhas favoritas eu não sei cantar direito) e aprender a me situar pela cidade por meio dos nomes das ruas (outra coisa que tenho dificuldade de recordar).

3. Sentimento horrível é quando brigo com alguém e acho que peguei pesado demais. Vem a culpa e remorso (eu não sou dura quanto se parece). Mas diante das últimas informações durmo com a consciência limpa. Crianças, não aceitem doces de estranhos.

4. O semestre está acabando, tenho trabalhos para entregar semana que vem e nenhum feito. Quando isso acabar vou fazer natação. Água é tudo de bom na vida de uma ariana.

5. Meu jardim anda muito bem, obrigada.

8 comments Maio 28, 2009

As suas águas e o meu ar

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Não adianta fingir quando teu olhar que me deseja percorre meu corpo. Com a proximidade, toda vontade é revelada e a necessidade é de não ser somente olhos, mas mãos, boca, todo o ser. Você por inteiro passeando no meu jardim, com os pés descalços, nu pelo gramado e despejando pólen em minhas flores. Todo a verbalização de vontades quando estamos juntos e depois fingimos que não sabemos de nada. Passeamos pelo íntimo e descobrimos pedaços de cada um, porque ao nos esconder nos revelamos: o riso, a fala, suspiros, respirações, gemidos. No escuro as luzes da intimidade se acedem. Nus, iluminamos nossa verdadeira essência. E nesse momento somos inteiros, porque metade não combina nem comigo nem com você. A gente divide a cama, confidências e silêncios. Não precisamos cobrar nada um do outro, não temos obrigação. Nada. Mas sou eu quem inicio suas manhãs e é você quem penetra minhas noites para terminar o dia. Tudo pela pura vontade de você bater asas em meu céu e eu mergulhar no seu oceano. As suas águas só de olhar me banha por inteiro e eu te transformo em pássaro a reinar no meu ar. As cores e o cheiro do nosso desejo invadem o apartamento e naquele espaço o outono vai embora por instantes e torna-se verão.

8 comments Maio 26, 2009

Praças abandonadas em Salvador

Roupas estendidas, camas improvisadas em papelão, crianças e adultos ali vivendo sob qualquer circunstância. Este cenário se refere a situação de algumas praças de Salvador que se encontram em estado de degradação. Ao passar pela Praça da Piedade é visível a quantidade de crianças que pedem dinheiro no semáforo. Tanto a da Piedade quanto a Praça Dois de Julho, no Campo Grande, possuem portões que são fechados à noite para evitar que moradores de rua durmam nos bancos, porém, durante o dia, esses dois locais que foram reformados há poucos anos, são preenchidos por mendigos e desabrigados. Contudo, não só deles é a culpa pela destruição desses ambientes, estudantes dos colégios e cursos próximos periodicamente degradam esses espaços. Essas praças e as demais de Salvador também vivem o drama do aumento da criminalidade e descaso no policiamento, por isso durante à noite a população evita passar por esses pontos. Além disso, as praças, que antes eram consideradas locais para descanso, ponto de encontro ou leitura, sofrem com a escassez de vagas para estacionar os carros na cidade e acabam sendo utilizadas como estacionamento.

Porém, enquanto praças situadas na periferia e do centro permanecem no desamparo as dos bairros nobres de Salvador são bem equipadas, como a Nossa Senhora da Luz, na Pituba, e Ana Lúcia Magalhães, no Itaigara. Exemplos dessa situação são as praças situadas no Largo de Santo Antônio Além do Carmo, Largo de Roma, Largo dos Papagaios e Praça dos Veteranos que não possuem banheiro público, parques infantis, áreas esportivas adequadas e algumas nem bancos tem, como a dos Veteranos. Em estado pior está a Praça Marechal Deodoro, no Comércio, que tem servido apenas de moradia a indigentes e banheiro a céu aberto.

É perceptível que a Prefeitura não disponibiliza recursos humanos e financeiros necessários para cuidar, fiscalizar e garantir a preservação das cerca de 465 praças que salvador possui. Fatores históricos como a expansão da urbanização de Salvador na metade do século XX fizeram com que as praças e demais locais públicos deixassem de ser prioridade para a estrutura da cidade. Em seus lugar foram priorizadas a construção e manutenção de shoppings center e outras estruturas comerciais. As migrações populacionais da zona rural para zona urbana, que causaram inchaço populacional e falta de moradia, também influenciaram para que as praças fossem ocupadas por desabrigados.

A Superintendência de Parques e Jardins (SPJ), órgão responsável para cuidar desses ambientes encontra dificuldades para realizar sua função. Algumas praças são recuperadas com a verba anual da instituição e outras foram reformadas por meio do “Programa Nossa Praça”, viabilizado por uma Parceria Público-Privada. Mas não é suficiente. A escassez de manutenção periódica, a falta de consciência por parte das pessoas que ali freqüentam e o número crescente de desabrigados habitando as praças têm permitido a deterioração dos monumentos históricos presente nelas. A necessidade de cultivar e reparar aquilo que é de todos além de ser responsabilidade da prefeitura também é um dever de todos os cidadãos e a atitude de preservação dos locais públicos garantem a população uma melhor qualidade de vida urbana.

3 comments Maio 25, 2009

Mandamentos para um dia bom

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Acordar bem

Acender um incenso

Tomar banho

Deixar a água cair em você

Sentir seu corpo

Cantar para você mesma

Considerar-se nova e “zerada”

Pôr uma música para tocar baixinho

Vestir-se

Se olhar no espelho e gostar do que vê

Lembrar do que tem que ser feito

Dissipar pensamentos de situações ou pessoas que não trazem bons fluidos.

Arrumar a bolsa

Fechar a porta.

 

Chegar no trabalho

Dar bom dia a todos

Falar com alguns

Abraçar poucos

Tomar café

Responder emails

Atualizar blog

Ver o horóscopo, tarô de Osho e outros esoterismo

Desligar o ar-condicionado

Abrir janela: nuvens, umidade, o sol tentando se amostrar

Ouvir Música

Atender telefonema inesperado de uma pessoa inesperada

Trabalhar

Ouvir chefe

Correr atrás de metas

Terminar o expediente sem dor de cabeça

 

Faculdade

Aula chata

Professora pior ainda

O Brasil, o povo, desigualdades etc.

Colegas, conversa, putaria

Aula novamente

Professora ótima

Aula perfeita

Subjetividade, estereótipos, poemas, risadas.

Desejar ser sua professora quando crescer

 

Ir para casa

Ler e responder emails, ver página pessoal

Acender um incenso e uma vela

Tomar banho

Sono ininterrupto

Satisfação

7 comments Maio 19, 2009

Sou feia mas tô na moda

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Toda expressão artística vem com a carga pessoal do seu criador. O funk se trata de uma manifestação social das favelas, um produto rentável que passou por diversas fases. Começou inspirado no gênero dos anos 80, Miami Bass, e atravessou a fase dos bailes violentos chamados de “Lado A/Lado B”. O cenário mudou quando os bailes do prazer, que tinham como atração a dança e as músicas sexuais, se tornaram mais evidente. É uma música feita por pobres, pretos e favelados para eles próprios ouvirem, uma identificação. Mas o que faz com que músicas com letras como “Tira onda pra elas é viver de sacanagem / os gatinhos até gosta / mas tu sabe como é / se eles pagam motel / elas faz o que eles quer” se expanda por um país preconceituoso e (falso) moralista?

“Falou em funk, vê logo: Cidade de Deus, os favelados.”

Quando se trata de música o que importa é a sensação e enquanto música que desperta a libido e transborda a sensação de prazer torna-se universal, desce o morro e chega ao asfalto – coisa parecida aconteceu com o Axemusic que veio do nordeste (a imagem da pobreza, falta de cultura e pessoas destituídas de valor social). Porém, embora haja o consumo assíduo do estilo musical pela classe média e alta do Brasil, não há o reconhecimento enquanto uma manifestação artística nem a preocupação com os problemas sociais daquela população que também são denunciados nas músicas. Porém, quando a mulher toma o tom imperativo da palavra em músicas erotizadas os preconceitos coletivos se manifestam ainda mais.

“Sou feia mais tô na moda, tô podendo pagar motel pros homens isso é que mais importante.”

É sobre esse universo do funk que o documentário “Sou feia mas tô na moda” trata. O vídeo de Denise Garcia foi lançado em 2005 em Londres e tem como foco principal as funkeiras e a sua representação social enquanto mulheres que expressam as suas vontades. O filme tem como título o nome de uma das músicas de Tati Quebra-barraco e personagem principal Deize Tigrona, conhecida como Deise da Injeção, dona de músicas sexuais como “Injeção”, “Senta no poste” e “Papo virtual”.

“São feministas sem cartilhas”

Funkeiras como Tati e Deize são mulheres que moram em comunidades aonde as leis, principalmente de proteção às mulheres, assistência social ou médica, não chegam. Contudo, permeia pela mídia a imagem de mulheres sem pudor e que se colocam como objeto sexual. No documentário elas questionam porque a veiculação de mulheres despidas no carnaval e na televisão não causam polêmicas como elas. A reposta é simples: A exibição de mulheres nuas no carnaval do Rio de Janeiro ou nas novelas é direcionada para turistas e empresários que vendem a imagem de uma cidade-paraíso e afrodisíaca. Por isso não há discriminação para elas. Ali comprem seu papel: dançam nuas, atraem turistas e, principalmente, não manifestam nenhum discurso. Já as funkeiras estão reinventando os seus papéis como mulher e através das músicas reivindicam igualdade. Muitas vezes, através da música, auxiliam na conscientização de jovens que vivem na favela, alertando para as doenças sexualmente transmissíveis ou uma gravidez indesejada, como na música “Ginecologista”, do grupo Juliana e as Fogosas. E assim diz uma das moradoras da Cidade de Deus no documentário: “As mulé antigamente, antigamente antes de surgir o funk, ia numa boa, aceitava, ‘vamos no meu prédio?’, vai e assim tava indo, agora surgino o funk, não. Especialmente a música da Tati, que está dizendo muita coisa, alertando as mulheres”

O filme é direto ao expor que as mulheres do funk cantam músicas para revidar o machismo, disseminado também no próprio funk como músicas que se referem às mulheres como “cachorras” e “popozudas” – em um país que tem um dos maiores índices de violência contra a mulher. É preciso perceber que o discurso de liberalização sexual feminina no funk influenciou uma postura menos submissa das mulheres que vivem naquele núcleo social e lutam pela igualdade de direitos, principalmente sexuais.

3 comments Maio 17, 2009

EU, EU, EU…

Bom, depois de tantos “eus”, crises existencias, certezas pessoais e muito drama (eu sou muito dramática), o Anafilático vai voltar ao seu perfil anterior. Com textos e críticas sobre o que acontece no mundo e no Brasil, o blog tem se caracterizado pelas análises do cotidiano. Como despedida tem uma ficha minha. Já tô com saudade de mim mesma.

Eu: Lorena Moreira Soares de Souza

Ou: lo, lore, lole

Signo /Ascendente: Áries / Leão

Sangue: A+.

Nasci em: 31 de março de 1986

Uma música: “Vou mostrando como sou e vou sendo como posso” (Mistério do Planeta). “É preciso força pra sonhar e perceber Que a estrada vai além do que se vê” (Além do que se vê). “São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração” (Águas de Março). “A chuva nunca para de cantar” (Preta) “Um amor assim delicado Você pega e despreza” (Queixa)

Um filme: As horas, Os Sonhadores, Ensaio sobre a cegueira, O fabuloso destino de Amélie Poulain, Babel, XXY, Segundas intenções, Encontro marcado, Cidade dos Anjos.

Um livro: Tarô Zen de Osho, Feliz ano velho (nostálgico), Anjos e Demônios, A magia do caminho real, Quando Nietzche chorou, Xogum, O alquimista, Mais pesado que o céu

Um lugar: Vale do Capão e Cidade do México

Um dia: Há uns 4 anos atrás quando passei no vestibular da UFBA (não conclui o curso, mas foi emocionante e deu pra tirar uma ondinha)

Um sonho: Ser mãe, um carro, uma casa confortável, um amor e um final feliz. (Quem diria!)
Um medo: não ser mãe, nem ter um carro, nem uma casa confortável, nem um amor, nem um final feliz

Uma meta: Ser uma excelente profissional

Um vício: Desisti dele

Uma cor: Violeta             
Um número: 9

Um cheiro: Amadeirado

Um gosto: Pudim

Um tesão: olhar

Um prato: Carne do sol com pirão de aipim

Uma necessidade: Conhecimento

Um defeito: Orgulho                 
Uma virtude: Lealdade

Uma curiosidade: De onde viemos e para onde vamos?

Uma parte do seu corpo: Meus olhos, minhas costas e cintura                                    

Uma parte do corpo do outro: entre a virilha e o umbigo (não sei o nome, se é que tem)

Um conceito: Viva e deixe viver

Uma mulher: minha professora de Psicologia da comunicação, Ana Amélia

Um homem: Brad Pitt (às vezes eu sou brega)

Uma saudade: De coisas que não vivi… Uma “nostalgia” que insiste em mim e nem sei de onde vem. (plágio de Isa)

Um tempo: infância

Amo: Comer, Sexo, Dormir, Criatividade, Música, Cachoeira, Cinema, Dinheiro, Amanhecer, Ficar descalça

Odeio: Desconfiança, Incompreensão, Falsidade, Ônibus, Pobreza, Qualquer tipo de dependência, Esperar, Sapato                                     

Um orgulho: Eu                                                                                                   
Uma frase: “Se você não encontra a felicidade em si mesmo, é inútil a procura em outro lugar”.
Uma palavra: Prazer                                                                                            
Uma loucura: Algumas certezas que tenho de vidas passadas.

Uma boa idéia: passar um mês no Capão

8 comments Maio 15, 2009

O salto

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O novo muitas vezes é interpretado como o caos ou a desordem de um ritmo, fazendo com que a maioria das pessoas procure uma segurança. Os aventureiros, aqueles que proporcionam o salto no escuro, são vistos como crianças se divertindo com o novo brinquedo. Eles são considerados, então, como aqueles que brincam com a vida, irresponsáveis. Pois os sérios esquecem que a vida não é governado pelo tempo cronometrado por um relógio. A vida é regulada pela espontaneidade da sua própria existência. Por isso para os aventureiros não é preciso uma data especial, como o ano novo ou o aniversário, para se permitir a transitoriedade da vida. Quando as peças se completam é sinal de que é hora de partir para o novo: o desconhecido. Então, neste momento é preciso entender que a sensação de desamparo é um apego a tudo que foi construído ao redor. Os pontos finais em situações, relações, ambientes e hábitos que já não satisfazem mais é necessário mas não garantem clareza sobre o futuro.

O salto no escuro é fundamental. E quem ousa nesta atitude percebe que a vida é baseada na vulnerabilidade e não na estabilidade.

No ato do vôo,

Quando o vento traz novas possibilidades,

Quando trocamos a força pelo impulso,

Quando a altura dos nossos próprios sonhos causa medo

Quando não vemos no que dará o próximo caminho

E é necessário se desfazer das nossas armaduras para um alcance suave,

Estamos todos nus.

4 comments Maio 11, 2009

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