A criminalização do aborto é a melhor saída?
Dezembro 6, 2008

Lorena Souza
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara rejeitou no início do segundo semestre dois projetos de lei que tratavam da legalidade do aborto. Um dos projetos almejava retirar do Código Penal o artigo que determina uma pena de detenção de um a três anos para as mulheres que fizerem aborto, e o outro pretendia a permissão para interromper a gravidez de até 90 dias. Estes dois projetos abordam os temas que são o ponto de convergência que faz cientistas, líderes religiosos e a sociedade discutirem: Considerar o aborto um crime evita que as mulheres deixem de fazer? É ou não ético interromper a gestação de um feto?
O problema principal é que para defender ou censurar o aborto a sociedade tem que cruzar com valores religiosos, políticos e morais. Embora, o Brasil permita que se faça o aborto em caso de estupro ou quando a gravidez ofereça risco de vida à mulher, em um único bairro pode-se encontrar uma miscelânea de opiniões. Um dos fatores que faz aumentar a volubilidade de julgamentos está comunidade científica que se mantém dividida para delimitar quando a vida começa. As vertentes variam desde a 3° semana gravidez, quando o feto adquire individualidade, até os que encontram entre na 8° e 20° semana de gestação o ponto ideal para vida, pois é durante este período que o feto começa apresentar atividade cerebral. Há ainda aqueles que crêem que a vida inicia-se da 20° a 24° semana quando o feto está com os pulmões prontos e com capacidade de viver fora do útero materno. A igreja católica aderiu à visão na qual a vida humana começa na fecundação. Para os teólogos o feto tem o mesmo direito à vida que todos os seres humanos.
Porém, fazer parte de uma religião que tenha posição contrária ao aborto não tem impedido que mulheres o façam. Estudos e pesquisas têm mostrado que o perfil da maioria das quase 4 milhões de gestantes que fizeram aborto nos últimos 20 anos no Brasil é de mulheres em fase adulta, católicas, com filhos e que optaram pelo aborto como forma de planejamento familiar. Porém, esse grupo faz parte de uma camada social que tem a possibilidade de interromper a gravidez da forma mais segura em clínicas que lhe oferecem o mínimo de conforto e higiene ou por meio de pílulas e chás abortivos. Já o outro lado da história é formado por mulheres que utilizam métodos que expõem sua vida em risco, como provocar uma queda e penetrar objetos sujos no útero, ou aderem ao aborto em clínicas clandestinas precárias. Estes fatos fazem com que as conseqüências do aborto ilegal sejam as principais causas de mortes maternas em cidades brasileiras, principalmente no Nordeste. Segundo o último relatório da Federação Internacional de Planejamento Familiar, a Bahia é a 1ª cidade no país em índice de abortos. Mesmo sem um registro confiável de informações, já que é o aborto é praticado na clandestinidade, estima-se que cerca de um milhão de abortos são realizados no país.
Percebe-se que entender se o feto tem direito ou não à vida é determinado pelos valores de cada indivíduo. Por isso, caberia à sociedade escolher se é ou não uma atitude condenável interromper a gestação de um feto. Por enquanto, as mulheres vão depender das leis de seus países. Nos EUA, o aborto é permitido desde 1973 até a 24ª semana e no Japão abortar é legal em caso de estupro, risco físico ou econômico à mulher, mas apenas até a 21ª semana (atual limite mínimo para o feto sobreviver fora do útero). Contudo, em países como Chile, onde o aborto é proibido mesmo nos casos de risco de vida para mulher e a população feminina em sua maioria é pobre, a solução requisitada para a gravidez indesejada é o aborto clandestino. Aliás, a população feminina mundial em sua maioria é pobre e não tem acesso ou não perfilha dos meios anticoncepcionais.
Pelo visto, por algum tempo o aborto continuará sendo uma das intervenções para a gravidez. Seria muito bom que antes de legalizar ou não o procedimento o Brasil trouxesse para si o sistema de saúde de países que permitem em determinadas condições o aborto. Por que não lutar por uma saúde pública, planejamento familiar, assistência às mães solteiras, manutenção das instituições de adoção e ampliação da educação para métodos contraceptivos descentes? Assim o país teria melhores condições para prevenir a concepção e, conseqüentemente, o aborto. É assim que acontece nos países onde há permissão para abortar.
Entry Filed under: Ciência, Comportamento, Sociedade. Tags: Vida, Sociedade, religião, aborto, comissão de constituição e justiça, projeto de lei, clandestinidade, criminalização, gestação, feto, fecundação.
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1.
cogitamundo | Dezembro 6, 2008 at 4:13 pm
Olá, você já visitou nosso blog? é o http://cogitamundo.wordpress.com . Temos muito em comum.
2.
Francisco Amado | Dezembro 7, 2008 at 12:23 pm
A cada ano, um número de abortos estimado em 50 milhões ocorrem em todo o mundo. Deste, 30 milhões de procedimentos são obtidos legalmente e 20 milhões ilegalmente.” – S. Singh and S. K. Henshaw, “Socio-Cultural and Political Aspects of Abortion from an Anthropological Perspective.
Segundo pesquisa divulgada no ano passado pela Organização Mundial de Saúde, seis milhões de mulheres praticam aborto induzido na América Latina todos os anos.
Destas, 1,4 milhão são brasileiras e uma em cada 1.000 morre em decorrência do aborto.
Será que o aborto fosse legalizado este numero diminuiria?
Será que todas foram estrupadas?
Será que todas corriam risco de vida?(NESTE CASO SOU A FAVOR)
1,4 milhão agora são apenas números mas, a verdade seria um ser humano que nem eu que nem você.
3.
Ana Paula Marques | Dezembro 7, 2008 at 10:27 pm
Parabéns, a matéria foi muito bem redigida.
Só gostaria de resaltar que grande responsabilidade cabe aos profissionais de saúde como eu, trazendo para si uma responsabilidade com a população, sobretudo a mais carente e menos informada, realizando com seriedade os programas de planejamento familiar e educação em saúde que ao meu ver seria a solução mais sensata. Pois o aborto é uma agressão a mente e ao corpo da mulher, e acredito que até as pessoas que são a favor do aborto tem ciencia disto. Pois como diz o ditado “é melhor prevenir do que remediar” , sempre e sem dúvida. Grande abraço.
4.
Marcos Sampaio | Dezembro 10, 2008 at 4:04 am
Sou a favor da legalização do aborto em qualquer circunstância. A questão não é previnir ou remediar. A questão maior é a liberdade. E é isso que autoridades religiosas, políticas e etc não querem que tenhamos: o livvre arbítrio. O direito perene de escolher o que achamos o certo para nós mesmos. Nesse Brasil de atrasos morais e penais achou-se na obrigatóriedade e nas leis absurdas o modo mais eficiente ne nos rederem aos caprichos dos poderosos, aqueles que controlam as massas sobre a égide da nossa democracia falaciosa. Enquanto isso… vai-se parindo operáririos para alimentar o capitalismo selvagem!!!
5.
Wagner | Dezembro 11, 2008 at 10:42 pm
Eu sou a favor do aborto. Se quisermos assumir um Estado Laico devemos arcar com a consequência e parar de nos escondermos atrás das superstições! Gostei do blog, valews!
6.
Ana Paula Clemente | Dezembro 15, 2008 at 6:04 pm
Eu sou contra a legalização por que, todas as mulheres sabem que se praticarem sexo sem prevenção, ela ficará gestante.
Então todas elas sabem que o aborto é um crise e ainda mais o aborto prejudica o corpo da mulher.