Archive for Março, 2009

happy birthday

fefakoroleva2

1. O aniversário talvez seja o rito de passagem mais importante, ou pelo menos um dos mais celebrado, entre os homens. É quando se fecha um ciclo e inicia outro, é o renascimento pessoal para os mais existenciais, quando o Sol volta para a posição zodiacal do seu nascimento. Uma comemoração para uns ou somente repetição do dia e mês que alguém nasceu. Para mim simboliza a continuação de um processo, porém com algumas “resignificações”.

2. Depois de um inferno astral que comeu no centro, cheio de suas ansiedade, estresses e medos, descobri que tenho pavor a pessoas sem cultura, cultura da vida, que vivem inertes, que não percebem o fluxo do universo. Tenho medo de me contaminar por elas. Para pessoas sem VIDA é muito válido trocar uma identidade por uma imagem.

3. Não quero que minhas metas pessoais em algum momento virem um pesadelo pois parecem impossível. Como realizar tudo que me dar prazer e minhas obrigações numa medida equilibrada? Viver de “coçar e cheirar” nunca foi a minha, a independência me fascina – ainda mais depois de saborear a cada dia um pedacinho dela. Mas nessa vida insana tirar tempo para o seu EU torna-se extremamente complicado. Não tenho nenhum problema em ficar velha, a questão é que são muitas expectativas e sonhos para pouca vida.

4. Ainda mais para mim que quero mutação, transformação, voar, ser uma excelente profissional, que quero terminar meu curso de jornalismo com a América latina (e viajar por ela), que fui sertão e hoje sou mar, que alterno entre o amargo e doce, que quero muito mais das pessoas além dos recados no Orkut, que quero muito mais para mim do que Salvador pode dar, eu que quero escrever um livro, que quero me tornar um livro interminável.

5. Infelizmente vivemos numa cidade onde as folhas não caem das árvores, nem formam tapetes vermelhos no chão. Mas, mesmo assim…

Aproveitem o outono.

7 comments Março 27, 2009

A guerra nossa de cada dia

 guerra-particular

Notícias de uma guerra particular é um documentário realizado em 1998 que se tornou conhecido ao ser vendido nos camelôs como Tropa de elite 2. O documentário de João Moreira Salles é um retrato da guerra entre a polícia e criminosos do Rio de Janeiro e traz depoimentos de traficantes, moradores e policiais – como ex-soldado do BOPE e co-roteirista de Tropa de Elite, Rodrigo Pimentel. Rodrigo ajudou a criar o Capitão Nascimento, com o qual compartilha a mesma sensação de desânimo em relação a uma solução para o combate ao tráfico nas favelas do Rio de Janeiro. A desesperança de Rodrigo está relacionada às imagens que mostram flagrantes do cotidiano da favela Dona Marta, dominada pelo tráfico de drogas.

No cenário cruel está um garoto de dez anos que diz ter prazer em estar perto da morte. Esses meninos do tráfico necessitam do sentimento de pertencimento. Qual o pobre que tem notoriedade? O traficante. O crime torna-se então um caminho para valorização das suas identidades. O que dizer do Comando Vermelho jovem? O crime organizado está formando um futuro garantido. Fica bem claro no documentário que só ações policiais não são suficientes para o combate ao crime. Porém, para a sociedade e, principalmente, para os excluídos não são apresentadas soluções (educação e reparo nas injustiças sociais!) que invista numa diminuição desse quadro.

A ausência do Estado viabiliza os criminosos de dominar comunidades inteiras com suas próprias regras. E o velho mito de que os traficantes defendem a sua população é confrontada com a declaração de moradores que dizem que a violência generalizada é a lei do morro. Os traficantes são as figuras de poder nesses bairros e tem exercido muitas vezes o papel de uma instituição de repressão, como a polícia. Esta que também acaba se abastecendo de seus próprios métodos. Hélio Luz, chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro na época da realização do filme, afirma: “A Polícia foi construída para proteger a elite da multidão de excluídos que vive nos morros”. Contudo, as armas na mãos do crime organizado ajudou que ele fosse parar no “asfalto”, foi aí que a questão da insegurança tornou-se notória.

Essa guerra é coletiva e sem definição de bem e mal!

1 comment Março 17, 2009

Espicha verão 2009

Ontem fui ao primeiro dia do projeto Espicha Verão que em comemoração ao dia das mulheres trouxe cantoras baianas como atração. Esse projeto que tem a intenção de atrair e prolongar o tempo de permanência do turista na cidade lotou completamente o Porto da Barra. Porém não de turistas, mas de soteropolitanos que na falta de algo melhor para fazer nessa cidade foram se encontrar na praia, fumar um beck e tocar violão (coisas que são feitas todos os dias lá). Eu não odeio Salvador, eu não sou mal humorada, nem “do contra”, mas será que eu sou a única pessoa na face da terra que percebe que a terceira capital do Brasil só consegue produzir eventos como se estivesse organizando um churrasco na laje?

Depois de trabalhar a semana inteira é intragável perder uma noite dos dois dias que são destinados para os seres humanos tentarem ser humanos com encenações pífias sobre as mulheres que marcaram a história do Brasil, a boa intenção de Juliana Ribeiro, Mariela Santiago e Samba das Moças fazerem bons shows X péssima organização. Não me importo de ficar cheia de areia, não ligo nem um pouco para a sensação insuportável de estar com a barra da saia molhada, mas fui embora antes de Gal Costa cantar pois eu não sou caranguejo e não quero me adaptar a esse mangue.

 

9 comments Março 9, 2009


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