Archive for Abril, 2009
I’m so sorry

É incrível como alguns eventos da minha vida tem uma sincronia exata. É fantástico também como doidos, desempregados, desiludidos, mal amados ou todos os excluídos do sistema, do coração de alguém, dos padrões normais de convivência, ou seja lá do que for, acham que eu sou uma terapeuta-voluntária-ambulante.
Nem bom dia eu recebi e uma mulher do nada começa a falar de uma decepção com um filho-da-puta (assim ela me descreveu). Devo ter cara de irmã Dulce mesmo pensando “Vá se fuder com seu problema”. A mulher estava tão puta que rogou pragas para todas as encarnações do homem. Porém, me disse que a única coisa que a faria esquecer tudo seria se ele pedisse desculpa. Pronto. Ela não estava fudida com o que a criatura fez, mas porque não houve sequer um pedido de desculpa. Que pessoa abnegada! Admiro pessoas do tipo que “conhecem o gosto raro de amar sem medo de outra desilusão”. Pessoas abnegadas nasceram para ser assim. Da mesma forma pessoas intransigentes (eu) vão continuar dos seus jeitos, tudo caminha para isso. Por exemplo, já tentei abrir mão de minha vontade de matar, de cortar em picadinhos determinados vermezinhos(as) – quando sinto raiva de alguém a classificação desse ser cai de humano para verme – mas todas as circustâncias se fortaleceram para que eu nunca mais queira ver essas pessoas pintadas de ouro na minha frente. Aí lembrei que nas minhas desavenças também não houveram um “pô, foi mal”. Aprendi com meu próprio exemplo e no meio de uma semana ruidosa, cheias de ofensas e “suma da minha vista” por todos os lados e para vários ouvidos (inclusive o meu), resolvi gastar meus últimos bônus.
- Me desculpa!
Parecia que ela só estava esperando essa frase. E eu fiquei com o gostinho bom de no meio de diversos furacões de sucessivos mal entendidos e disse-me-disse conseguir transitar por um caminho diferente. Aprendam a pedir desculpas.
Para os que erraram e não se retrataram: I´m so sorry!
9 comments Abril 29, 2009
Top 10 Blogs

Fiz um pequeno comentário como prêmio para os três primeiros.
Cham Cham Cham Cham:
- Literatura Clandestina: Conheci o blog de Elenilson Nascimento quando estava à procura de novos escritores. Por displicência não consegui até hoje comprar um livro dele, mas em compensação sou leitora voraz dos seus posts. A cada leitura no Literatura Clandestina me convenço de que no Brasil o espaço para a livre expressão nos meios de comunicação é uma ilusão.
- Poética Cotidiana: Sabe o que é tesão? É o sentimento que tenho toda vez que encaro o blog de Isa Lorena. Tesão de viver, de ser mãe, de um simples caminhada, de ouvir uma música de Janis Joplin, de um bom sexo. Deleitem-se no tesão da palavra.
- Frases Ilustradas: Na primeira e única vez que estava em Morro de São Paulo vi escrito em um muro “Pássaros constróem seus ninhos mas não deixam de voar”. Repassei a frase a um colega que me mandou ilustrada. Pirei. Adoro idéias simples e criativas. O nome do ilustrador: Celso Pontual.
- Acorda Cinderela
- Café das ilusões
- Já matei por menos
- Incensurados
- Enquanto tudo isso acontece
- Caralho a quatro
- Detesto Gente Inteligente
6 comments Abril 28, 2009
Globo e você, tudo a ver?

No documentário “Muito além do cidadão Kane”, realizado pela BBC de Londres em 1993, é destacada a dominação da Rede Globo no Brasil, que é imposta através do seu poder político. O fundador da Globo, Roberto Marinho, foi comparado a Charles Foster Kane, personagem da obra Cidadão Kane, uma ficção baseado na vida William Randolph Hearst que era dono de veículos de comunicação dos Estados Unidos. Kane, na obra, manipulava as notícias. No documentário são exibidos fatos históricos que já foram manipulados pelo Jornal Nacional da Rede Globo. Uma manifestação pública em 1984 na Praça da Sé, em São Paulo, para exigir as eleições direitas foi noticiada como uma comemoração de aniversário da cidade. Anos depois, em 1992, a TV Globo ignorou as manifestações e passeatas pelo afastamento de Fernando Collor de Melo da presidência, pois tinha apoiado indiscriminadamente sua candidatura em 1989.
Nesses acontecimentos a Rede Globo aderiu à distorção e omissão de informações essenciais aos cidadãos, esquecendo que imprensa existe para executar o direito à informação da população. Direito tal que é garantido pela Declaração universal dos direitos humanos e pela Constituição Federal. Porém, a televisão, como o meio de comunicação que consegue atingir o grande público, é veiculada sobre os interesses comerciais, econômicos e políticos. A função social das empresas de comunicação, no Brasil, é descaracterizada, principalmente pela Rede Globo. Em um pais onde os brasileiros se informam prioritariamente da televisão, as noticias veiculadas pela Globo provocam uma reação direta na identidade, mobilidade e reação da população brasileira. Logo, a falta de respeito aos princípios éticos nos veículos de comunicação e a anulação do compromisso ao direito à informação do cidadão vitimam a sociedade.
O controle das informações por parte da mídia impede a formação de indivíduos independentes, capazes de julgar e de decidir com autonomia. O resultado é uma influência que direciona e formata a mediação com a realidade. A intenção clara é a transformação das pessoas em seres alheios aos problemas da sociedade.
3 comments Abril 23, 2009
O curioso caso de Benjamin Button

“O tempo é o senhor da razão”. Sempre ouço frases como essa quando uma situação necessita espera ou uma resposta ou um significado. Apesar do homem tentar controlar sua vida, na verdade, essa função é do tempo. O tempo nos transforma através dos estágios da vida (infância, adolescência, fase adulta e velhice) e tais fases são percebidas por nós fisicamente e psicologicamente. As nossas experiências moldam nossos comportamentos, nossas emoções e nos fazem únicos. Apesar do tempo cronológico ser o mesmo para todos, o tempo da vivência é pessoal. Refleti muito sobre a consciência da vida, principalmente depois de ter assistido (mil anos depois do lançamento) O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button – EUA – 2008 – Warner).
O filme não foi além das minhas expectativas: algumas aspectos do roteiro e a duração do filme me incomodaram. Mas é um dos filmes mais ricos e sutis para tratar do tempo. A história é sobre um homem que nasce com 80 anos de idade e rejuvenesce a cada dia que passa até se tornar um bebê e morrer. Porém, Benjamin, como qualquer ser humano, não tem o domínio do seu tempo e por isso decide viver a vida intensamente, conhecendo diversos lugares, pessoas e se arriscando em experiências pessoais. Considerando que a vida é limitada a um instante de existência, o tempo e a morte como fatores inerentes à existência humana são destaques do filme. Como aproveitamos nossos momentos? O que vamos fazer de nossa vida? Qual o valor de nossas vidas?
O curioso caso de Benjamin Button é uma lição de como valorizar nossa existência. E nos recorda que o tempo não nos persegue para cumprir hora marcada, prazos, limites, vencimentos e sim nos acompanha para lembrar de vivermos a vida enquanto ela existe.
6 comments Abril 13, 2009
Dor nas costas

Por Tony Belotto*
Uma das medidas do choque de ordem implantado pela prefeitura do Rio é polêmica: o banco antimendigos. Parece que medida semelhante já foi testada em São Paulo. Não sei se os resultados foram positivos, mas me parece uma sacanagem introduzir divisórias metálicas nos bancos das praças para que mendigos e desocupados não os utilizem como camas.
Tudo bem, todos nós queremos cidades livres da miséria, sem crianças pedindo esmolas nas esquinas e gente miserável dormindo nas praças, mas o problema, todos sabemos, é mais embaixo. Ou mais em cima, sei lá. O problema está em algum lugar, não no banco da praça.
Não é impedindo mendigos de dormir nos bancos das praças que resolveremos a questão dos habitantes de rua, certo? Sei que um prefeito sozinho não vai mudar a situação econômica do país, nem resolver os gravíssimos problemas que todos conhecemos. Concordo que a iniciativa da prefeitura do Rio é positiva, tentando moralizar hábitos seculares dos cariocas – como estacionar carros na calçada -, e organizar grandes bagunças como caminhões e vans atrapalhando o trânsito em locais e horários não permitidos à sua circulação. Mas os bancos das praças, não sei não.
Fiquei com pena dos mendigos e daqueles que realmente não têm onde dormir. Não apenas mendigos e gente sem moradia utilizam bancos de praça como cama. Há os poetas insones, os bêbados desorientados, as prostitutas cansadas e até os trabalhadores comuns atrás de um bom cochilo depois do almoço. Sei que minha visão é romântica e um pouco subjetiva. Mas talvez a grande conquista dos bancos antimendigos não passe de boas dores nas costas dos mendigos, que terão de dormir sentados.
*Tony Belotto é músico e colunista da revista Veja.
fonte: Veja
2 comments Abril 7, 2009
