A não-pessoa Michael Jackson
Junho 26, 2009

O fim de Michael Jackson é triste como toda derrota da especie humana. Penso nele num lugar comum, numa criança que não cresceu, num homem que foi se transformando em mulher e um negro que tentou ser branco, entre tantos mistérios da alma humana.
Era um músico e um cantor de talento raro, próximo da genialidade. Mudou nossa forma de cantar e de dançar.
Mas também era um monstro que se tornou a própria vítima, uma doença que não parava de crescer.
Já deformado, tornou-se um pai que não conseguiu ser filho e um truque poético que se tornou pura forma, todo artifício. Uma não-pessoa, uma não-identidade, uma não-história. Era a representação da representação.
A anti-natureza de batom e lantejoulas, avaliada em muitos milhões de dólares.
Se a sua melhor música foi produzida na infância, o auto-retrato encontra-se em Thriller, onde é o lobisomen assustador e a mocinha assustada ao mesmo tempo.
Morto aos 50 anos, Michael Jackson foi tudo e nada. Fez maldades cruéis, dignas de contos de fadas.
Deixou a impressão de que nunca teve direito a própria liberdade nem a própria vida.
Ele se foi sem ter sido, quando se tornara estátua de cera, objeto, menos que lembrança.
*Paulo Moreira Leite é colunista da Resvista Época
Entry Filed under: Artes e Entretenimento. Tags: celebridade, michael jackson, morte.
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1.
x-ratho | Junho 27, 2009 at 2:22 am
michael foi uma interrogação. o artista mais completo de todos os tempos. um excesso de talento, que tornou impossível um só corpo, uma só mente, dar conta de tanto. ele morreu de overdose sim, uma overdose de seu próprio brilho, que lentamente o transformou neste ser-enigma que tanto falam, e o fragilizou tanto.
parece que todos os gênios carregam o fardo de se inadequarem ao mundo, sendo “bizarros” para a sociedade. para muitos ele se foi como um perdedor, mas para mim só é desolador o fato dele ter partido cedo demais, pois a inveja e a ganância tiraram sua moral, seu dinheiro, mas o que realmente importava esteve com ele até seu último suspiro.
Estou de luto junto com o mundo.
2.
F'abio | Junho 27, 2009 at 2:08 pm
Ele foi a verdadeira metamorfose ambulante
3.
Marcos Improta | Junho 27, 2009 at 10:12 pm
É engraçado como um sofisticado pragmatísmo e um amontoado de idéias paradgmáticas são o suficiente para transformar um ser humano no maior antagonismohumano – com o perdão do neologismo.
Michael Jackson, é importante deixar isso bem claro, já que a grande mídia sensacionalista quer nos fazer esquecer, foi um ser humano – por mais que isso pareça impossível. E como todo ser humano, cheio de dúvidas, foi o “gênio”, outras vezes o fracassado, depressivo, homem, mulher, branco, negro… Mas, qual ser humano entre nós nasce e morre a mesma pessoa? Que esse atire a primeira pedra no ápice de sua ignorância.
4.
isa (prima) | Julho 3, 2009 at 11:35 am
Oh Lole, fiquei com muita pena dele. Eu o achava o máximo!!!!!!!
No fundo eu o via como uma eterna criança, que nao soube amadurecer… preso em Neverland, tentando se tornar o Peter Pan… muito muito muito triste!!!!