Cobertura do céu

Publicado: agosto 7, 2010 em Artes e Entretenimento, Blogosfera

Há tempos e tempos nessa vida.

Estou no tempo de palavras poucas e poéticas.

Logo, o Anafilático vai ficar um pouquinho de lado,

mas o Cobertura do Céu está colado em mim.

Acessem:

http://coberturadoceu.blogspot.com/

Ser Brasil…

Publicado: junho 25, 2010 em Futebol
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Daqui a aproximadamento uma hora a Seleção Brasileira irá enfrentar o time de Portugal. Mesmo com severas críticas a cerca de seu desempenho, ao seu técnico e elenco escolhido para disputar a Copa do mundo, o Brasil tem tido relativamente uma boa campanha. O relativamente é devido ao fato da pessoa que vós escrever entender pouco sobre o que está acontecendo no campeonato, quase nada das demais seleções e nada mesmo sobre futebol. Mas como dizem que todo brasileiro é um pouco técnico, ouso a dar minhas sinceras opiniões sobre o time brasileiro e sua perfomance.

A primeira coisa que minha humilde capacidade de percepção tem a cerca do universo futibolístico é que Copa do Mundo não é baba de comunidade. Logo, levantar bandeira para as seleções palpérrimas da África e inventar de ser torcedor políticamente correto numa COMPETIÇÃO, não cola. Primeiro porque, queiram acreditar ou não, somos provenientes de um país também pálperrimo. É só dar um olhadinha pela janela de suas casas ou sair de seu confortável condomínio que você verá um mendigo a cada esquina, avenidas todas enlamaçadas pela chuva que acabou de cair e a ruas impregnadas de fezes animais ou humanas. Pronto, torcedor vira-folha, também meremos sua compaixão pelos países pobres e imundos.

O segundo fator, provavelmente esquecido pela baixa auto-estima, é que somos brasileiros e merecemos acreditar em nós mesmo, torcer para nossa própria seleção e, mesmo ela não estando nos seus melhores dias, evocar sua poder. Precisamos, antes de mais nada, apoiar o técnico Dunga nas suas escolhas. Não estou censurado críticas, mas não admito essa postura antipatriota de esculachar quem nos representa. Pois, na verdade, essas críticas revelam muito mais o medo do fracasso que nós brasileiros temos que uma simples análise negativa. É como que, ao criticar Dunga e seus eleitos, estivéssemos nos insentando do sentimento de derrota. Como se só eles fossem o Brasil.

Contudo, no momento que Dunga deixou de fora jogadores como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Adriano, ele foi mais por esse país do que os seus 190 millhões de habitantes têm sido. Embora seja inegável o talento de tais jogadores, na Copa do mundo, mais do que estrelas, a seleção necessita de profissionais dedicados e que tenham reponsabilidade sobre seus atos. Porém, os três jogadores citados têm tido mais notoriedade pelos escândalos que estão envolvidos, brigas em boates, doações a traficantes do que pelo que fazem dentro de campo. E uma equipe não se faz com apenas com o brilho de alguns jogadores. A respeitabilidade que Dunga e a Seleção brasileira necessitam irá vir da capacidade técnica e da responsabilidade que cada membro disponibilizará para a vitória.

Já era a segunda vez que ia àquele lugar no dia. Para ele não havia a necessidade de se fazer cadastro. Carimbado no local como cliente de confiança, pois pagava antecipadamente, tinha entrada irrestrita para seus acompanhantes. Insaciado, naquele domingo voltou ao estabelecimento com uma nova companhia. Sem câmeras, elevadores ou qualquer luxo, o hotel Democrata, localizado no largo Dois de Julho, próximo a rua Carlos Gomes, ponto de prostituição, fazia parte dos momentos de sexo de Jorge Pedra.

Naquele dia de novembro, véspera do feriado de finados, lhe foi dado o quarto 306. A soma desses números resulta em 9, que numerologicamente significa fim de um ciclo, términos, finalizações, acertos finais. Rogério, um rapaz alto e com um pequeno rabo de cavalo, era o acompanhante do jornalista e levava consigo uma faca.

Entrada do Hotel Democrata

Jorge e Rogério entraram por volta das 18h no quarto do hotel. O rapaz, que tinha seus vinte e poucos anos, já sabia o roteiro que tinha que seguir. Mas com o jornalista foi diferente. Entusiasmado com o Honda CIvic e notoriedade do seu cliente (Pedra não era só conhecido por freqüentar o hotel, mas também por ser o apresentador de um programa local chamado Fama e Sucesso e dono de uma produtora, a Fama Produções Artísticas), Rogério decidiu levar um valor a mais do q u e t i n h a m combinado. A faca que levava consigo i r i a auxiliar n a obtenção do extra.

retrato-falado do assassino de Jorge Pedra

Os dois adentrarem no quarto, beliscaram algumas coisas no frigobar e faziam sexo quando o garoto de programa resolveu colocar em prática suas intenções. Rogério pegou objeto e deferiu o primeiro golpe de frente para o apresentador, acertando-o na testa. Pedra, ao tentar fugir, derrubou móveis e tudo que via pela frente, porém recebeu o segundo golpe, desta vez nas costas. Mas a última facada, desferida próximo ao coração, foi a mais profunda e mortal.

Jorge agonizava no chão enquanto Rogério pegava o dinheiro de sua carteira e o celular. O rapaz saiu correndo com a camisa que usava enrolada na mão, era perceptível o sangue nela. A recepcionista se assustou com aquele homem fugindo do hotel e, com outros funcionários, encontrou o corpo de Jorge Pedra a cerca de 10 metros do quarto. Pedra tentara buscar ajuda mas não suportou os ferimentos.

Publicado: setembro 18, 2009 em Jornalismo

jornalismo1

Há alguns anos atrás minha família com sua enxurrada de primos, tios e tias se reunia aos domingos na casa de meus avós. Não havia necessidade de marcar horário ou confirmar presença no almoço. Era certo a presença de todos lá. Eu, que morava dois andares acima da casa de meus avós, somente precisava descer as escadas. Tudo era um atrativo além dos dotes culinários de minha avó. Até os jogos de futebol pareciam ter mais emoção para meus tios quando assistidos lá.

Naquela época, o jornal impresso era o meio mais confiável e disponível de obter informação. Aos domingos, quando o jornal vinha preenchido de diversos cadernos, se formava uma fila familiar atrás dele. Tinha aqueles que queriam determinados cadernos. E outros que faziam questão do jornal inteiro. Era uma ansiedade para que chegasse a vez. E penso que como eu devia haver outros que desejavam que alguém desse prioridade a algum programa televisivo ou uma conversa. Assim, poderia ser logo aproveitado um dos hábitos que desfruto desde cedo: a leitura. Contudo, a leitura, que é uma abstração solitária, às vezes tornava-se nesse dia um processo coletivo. Pois, diante de uma notícia quente, quentíssima era impossível deter o processo de leitura coletiva. E todos se emparelhavam para conseguir ler um pedaçinho do texto e quando não havia jeito alguém fazia a leitura em voz alta.

Eram outros tempos. Os textos eram mais elaborados, pois não havia a crise no universo impresso. Havia espaço para diversos colunistas, diversas formações de pensar. A construção do cotidiano, arte que os jornalistas se detêm, era baseado nos fatos relevantes para a sociedade e cidadãos. Como disse o jornalista Nirlando Beirão em uma palestra recente em Salvador “O jornalismo brasileiro tornou-se histérico e não histórico”. Recentemente uma professora subiu em palco onde uma banda de pagode apresentava-se e dançou o seu hit “todo enfiado”. Filmada por diversos celulares sua performance foi parar no site Youtube e na capa de um jornal local.

Além de sentir saudades dos domingos em família, sinto falta dos jornais. Aqueles jornais que mesmo com seus defeitos, mesmo com seus partidarismo, não sofriam de crise de identidade. Que na guerra pela notícia não especulavam, nem faziam sensacionalismo da vida alheia.

revistaantimateria

http://www.revistaantimateria.blogspot.com

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Esse blog anda tão abandonado quanto a capital baiana. Essa ausência é decorrente de dois motivos básicos: dedicação à Revista Antimatéria, que em breve estará na rede, e porque perdi a esperança de expor minha indignação social. Vez em quando escrevo sobre minha vida, mas não foi especificamente para isso que este blog existe.

Pois então, não é de hoje que ando desiludida com o nível de pobreza e violência que Salvador se encontra. Nem devia estar escrevendo essas linhas. Por mais que existam outras pessoas com o mesmo pensamento que eu, a maioria dos leitores do Anafilático no mínimo pensa “lá vem essa menina com a velha conversa de desigualdade social. Só podia ser jornalista mesmo”. Porém, caros amigos, pelo que me parece, os jornalistas estão mais interessados em pagar pau para as celebridade do que divulgar a previsão feita pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) de que cerca de 33 mil jovens brasileiros, entre 12 e 18 anos, poderão ser assassinados até 2012. Segundo o estudo, os jovens negros têm 2,6 vezes mais possibilidades de serem mortos do que os brancos.

A divulgação da morte prevista desses milhares de jovens, em sua maioria negros e pobres, não foi capaz de estimular nenhuma medida contra a violência, o incentivo à educação ou qualquer coisa que diminua as chances desses homicídios acontecerem. Além dos jornalistas, muitos outros não estão querendo conta com a vida da população brasileira.  É visível que o  Brasil é feito para matar e não fazer viver. Nesse país morte de pobre não gera notícia. Vivemos num país onde não há vagas nos hospitais públicos, onde médicos escrevem no braço de mulheres grávidas o número do ônibus que devem pegar para irem a outro hospital.

Num país com medidas tão ilegais à vida, não é importante que cerca de 1.046 milhão de soteropolitanos (50% da população de Salvador) espera o dia em que um pouco de holofotes irão escancarar sua situação de pobreza ou indigência. Que esperem sentados em suas lonas sem esgotamento sanitário. Pois, pelo que já constatamos nos 509 anos dessa nação, o Brasil é um país que olha para poucos. Somente na capital baiana o poder público esqueceu 670 bolsões de miséria que fazem de Salvador a segunda cidade mais pobre do Nordeste, perdendo apenas para Teresina (PI).

É por isso que os níveis de violência tornaram-se alarmantes. O país está se confrontando a cada dia com sua própria omissão sócio-cultural e educacional.

Nessas condições nem Jesus Salva.

cigarro

Quando eu fumei pela primeira vez ainda estava no início da adolescência. Não tinha ninguém em casa e achei que era o momento ideal para fazer o que já vinha planejando. Peguei um cigarro nas coisas de minha mãe, fui para o quarto e fumei de frente para um espelho. Me ver fumar é uma das lembranças mais impactantes que tenho. Outra cena também marcante foi a cara de meu pai ao chegar de sopetão e me ver fumando. Acho que ele ficou mais assustado do que eu. O susto não adiantou. Percebi uma sensação simbólica e falaciosa entre o ato de fumar e a liberdade. A partir daquelas baforadas eu me proclamei dona de mim e de minhas vontades. Doce ilusão, logo veio o vício.

O cigarro possui 4.700 substâncias tóxicas disponíveis em cada tragada que vão se acumulando e deteriorando os órgãos ao longo da vida. Desses milhares de conteúdos, o trio-ternura composto pela nicotina (que chega no cérebro mais rápido que a cocaína), alcatrão (o grande responsável pelo canceres) e monóxido de carbono (CO) (a mesma fumaça que sai do seu carro) fazem do cigarro um produto letal e uma das drogas mais nocivas ao organismo.

Mesmo com todos esses riscos o número de fumantes no mundo gira em trono de 1,2 bilhão. Alguns países como o Brasil têm adotados medidas para que o número de fumantes reduza. No país a propaganda foi banida, o imposto é alto, os maços trazem alertas de saúde e a nomenclatura “light”, ideal para capturar ex-fumantes, foi proibida. Em Salvador a lei 7.651/09 proíbe o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos ou de qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, no âmbito do Município, em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados. O valor da multa para quem não cumprir a lei deve variar de R$ 200 e R$ 2 milhões tanto para o fumante quanto para os donos dos estabelecimentos.

Porém, todas essas ações antifumo disputam com a imagem que o cigarro criou de um produto elegante. A história do sucesso de marketing do cigarro é antiga. O tabaco foi um dos primeiros produtos a desenvolver marcas comerciais e na primeira metade do século 18 embalagens e slogans começaram a ser criadas para o produto. Quando as mulheres entraram no mercado de trabalho após a Primeira Guerra Mundial foi lançada uma marca especificamente só pra elas, a Malboro (aquela que tempos depois associava o cigarro à macheza do Comboy), e logo o glamuor foi associado às baforadas femininas. Os personagens hollywoodianos sensuais e fumantes e as cenas envolvendo sexo e o ato de fumar foi o que faltava para o cigarro ser visto como um produto de poder e sensual. Isso fez com que a indústria do cigarro conseguisse angariar milhões de novos fumantes todos os anos, principalmente os jovens e as mulheres. Por isso que, mesmo com medidas antifumo criadas, o número de fumantes continua alto. A Indústria do cigarro é uma das mais poderosas do mundo: são consumidos no planeta em torno de 5,5 trilhões de unidades por ano. Na Brasil a Souza Cruz é a empresa privada que mais contribui com a receita fiscal no país, pois o cigarro é o produto industrializado que mais paga imposto por aqui.

A solução para reduzir o número de fumantes drasticamente parecer ser uma série de medidas sincrônicas com leis antifumo em locais fechados, aumento do valor do produto com a ampliação dos impostos para o cigarro, medidas contra o contrabando que hoje corresponde a um terço dos cigarros vendidos, o banimento das propagandas e a redução de exibições glamurosas do cigarro em filmes e novelas. Porém, acredito que políticas proibitivas devem ser combatidas por mais que o fumo cause danos à saúde. Senão, prejudicial por prejudicial, deveríamos então proibir também o consumo de produtos da MC´donalds, Burger King, Coca-cola etc. O homem tem o livre arbítrio para tomar suas decisões e hoje o cigarro não está mais revestido de ilusões de marketing. Muito pelo contrário, a associação dele com o câncer está se tornando mais próxima do que com o prazer, poder e sedução. E se o mundo inteiro resolvesse proibir o consumo de cigarros algumas milhões de vidas poderiam ser poupadas. Porém, o 1 bilhão de fumantes entrariam na ilegalidade e com esse número alto de usuários a clandestinidade e traficantes que sairiam ganhando.

Comecei a fumar porque vi meus pais e ídolos fumarem, mas crianças e adolescentes passam por esse processo de projeção seja ao fumar ou beber ou o que for. Desprovidos dos ritos antigos de transição para a vida adulta, jovens das sociedades contemporâneas têm utilizados de diversas substâncias, inclusive o tabaco, para representar essa passagem.